A literatura educacional é consensual ao afirmar que uma aprendizagem de qualidade requer uma postura ativa do estudante. Essa postura ativa, para além de atribuir tarefas aos estudantes para realizarem durante as aulas, envolve o engajamento mental do estudante no estudo e na resolução de um problema que seja significativo ao contexto da disciplina e do cotidiano no qual os agentes escolares estão envolvidos.

Originalmente, a abordagem investigativa foi desenvolvida como uma resposta às aulas de laboratório classificadas como tradicionais, ou seja, nas quais um roteiro é fornecido aos estudantes os quais devem seguir o passo-a-passo, com pouca margem para problematização e com a expectativa de chegar a uma resposta específica. Com isso, pode-se gerar a sensação de que uma resposta única e correta é esperada. Na obtenção de um resultado diferente do esperado, muitas vezes os estudantes sentem frustração e podem se questionar sobre sua capacidade em realizar atividades dessa natureza.

Em uma aula de laboratório na abordagem investigativa, os processos de ensino e de aprendizagem iniciam com um problema para o qual os estudantes devem formular uma hipótese e uma estratégia de validação dessa hipótese. Após testarem suas próprias formulações, há uma discussão entre os grupos para verificarem quais propostas podem ser consideradas como respostas ao problema inicialmente proposto. Essa sistemática se assemelha ao modo como o conhecimento é construído na ciência. A abordagem investigativa deve ser introduzida em níveis de abertura do experimento (KASSEBOEHMER, HARTWIG e FERREIRA, 2015, p. 123).

Após a consolidação dessa estratégia didática para aulas de laboratório, a abordagem investigativa também foi desenvolvida para aulas teóricas (BAGATELO et al., 2022) teórico-práticas SILVA, M.; SILVA, D.; KASSEBOEHMER, 2019).

Apesar dos resultados positivos encontrados nas pesquisas educacionais, passar a utilizar a abordagem investigativa como metodologia de ensino ou como estratégia didática em sala de aula não é trivial. Especialmente quando os professores não tiveram acesso a essa abordagem enquanto alunos a educação básica ou no ensino superior.

Diante deste contexto, o Grupo EducAção dedica-se a criar oportunidades para os participantes vivenciarem e estudarem a abordagem investigativa assim como planejarem, desenvolverem, aplicarem e socializarem a experiência com essa estratégia em sala de aula.

 

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Referências

DA SILVA, D. M.; DE SOUSA, L. O.; KASSEBOEHMER, A. C. An analytical tool for assessing the formation of the scientific mind of students participating in inquiry activities. International Journal of Science Education, v. 1, p. 1-25, 2024.

SILVA, D. M.; SOUSA, L. O.; KASSEBOEHMER, A. C. The chemistry club as a space for promoting the scientific spirit. Química Nova na Escola, v. 45, p. 304-312, 2023.

FERREIRA, D. M.; SENTANIN, F. C.; PARRA, K. N.; BONINI, V. M. N.; DE CASTRO, M.; KASSEBOEHMER, A. C. Implementation of Inquiry-Based Science in the Classroom and Its Repercussion on the Motivation to Learn Chemistry. Journal of Chemical Education, v. 99, p. 578-591, 2022.

BAGATELO, A. H.; ROCHA, A. C.; CARVALHO, A. C. G.; GIBIN, G. B.; KASSEBOEHMER, A. C. (Org.). Ensino por Investigação na sala de aula: da criação à aplicação no Ensino de Ciências para a sustentabilidade. 1. ed. Porto Alegre: Editora Fi, 2022. 292p.
Link para download gratuito: https://www.editorafi.org/ebook/630saladeaula

SILVA, M. S. B.; SILVA, D. M.; KASSEBOEHMER, A. C. Atividade investigativa teórico-prática de Química para estimular práticas científicas. Química Nova na Escola, p, v. 41, p. 360-368, 2019.

KASSEBOEHMER, A. C.; HARTWIG, D. R.; FERREIRA, L. H. Contém química 2: pensar, fazer e aprender pelo método investigativo. 2. ed. São Carlos: Pedro & João Editores, 2015. 472p.